Tudo o que precisamos são 20 segundos de coragem insana
     



POSTs mais antigos:

Novembro de 2019
Outubro de 2019
Agosto de 2019
Junho de 2019
Abril de 2019
Março de 2019
Janeiro de 2019
Dezembro de 2018
Novembro de 2018
Outubro de 2018
Setembro de 2018
Agosto de 2018
Julho de 2018
Junho de 2018
Maio de 2018
Abril de 2018
Março de 2018
Fevereiro de 2018
Janeiro de 2018
Dezembro de 2017
Novembro de 2017
Outubro de 2017
Setembro de 2017
Agosto de 2017
Julho de 2017
Junho de 2017
Maio de 2017
Abril de 2017
Março de 2017
Fevereiro de 2017
Dezembro de 2016
Novembro de 2016
Outubro de 2016
Setembro de 2016
Agosto de 2016
Julho de 2016
Junho de 2016
Maio de 2016
Abril de 2016
Março de 2016
Fevereiro de 2016
Janeiro de 2016
Dezembro de 2015
Novembro de 2015
Outubro de 2015
Setembro de 2015
Agosto de 2015
Julho de 2015
Junho de 2015
Maio de 2015
Abril de 2015
Março de 2015
Fevereiro de 2015
Janeiro de 2015
Dezembro de 2014
Novembro de 2014
Outubro de 2014
Setembro de 2014
Agosto de 2014
Julho de 2014
Junho de 2014
Maio de 2014
Abril de 2014
Março de 2014
Fevereiro de 2014
Janeiro de 2014
Dezembro de 2013
Novembro de 2013
Outubro de 2013
Setembro de 2013
Agosto de 2013
Julho de 2013
Junho de 2013
Maio de 2013
Abril de 2013
Março de 2013
Fevereiro de 2013
Janeiro de 2013
Dezembro de 2012
Novembro de 2012
Outubro de 2012
Setembro de 2012
Agosto de 2012
Julho de 2012
Junho de 2012
Maio de 2012
Março de 2012
Janeiro de 2012
Dezembro de 2011
Novembro de 2011
Outubro de 2011
Setembro de 2011
Agosto de 2011
Junho de 2011
Maio de 2011
Fevereiro de 2011
Agosto de 2009
Julho de 2009
Junho de 2009
Maio de 2009
Abril de 2009
Fevereiro de 2009
Janeiro de 2009
Setembro de 2008
Julho de 2007
Junho de 2007
Maio de 2007
Abril de 2007
Março de 2007
Fevereiro de 2007
Janeiro de 2007
Dezembro de 2006
Novembro de 2006
Outubro de 2006
Setembro de 2006
Agosto de 2006
Julho de 2006



28 de Outubro de 2006

A boa convivência exige atenção ao outro e capacidade de perdoar. Na convivência do dia-a-dia, é praticamente impossível aos parceiros esconder-se atrás de máscaras. Características boas e ruins acabam aflorando e é importante que ambas as partes estejam dispostas a encará-las com generosidade e compreensão. Deixar de lado as idealizações e treinar o perdão são atitudes muito importantes para quem quer dividir a vida com alguém.
Estamos tão acostumados a lidar com as dificuldades inerentes às relações que muitas vezes não percebemos o lado bom de viver com alguém. Por isso, àqueles que só sabem lamentar o que falta em seu casamento, costumo contar uma historinha simplória que serve como metáfora. Imagine que uma pessoa vai à loja, escolhe, escolhe e compra uma muda de pimentão. Depois, volta para casa, planta o vegetal e espera, inutilmente, que produza tomates vermelhos. Como isso não acontece, passa a maldizer o pobre vegetal. Depois de muito sofrer, consulta um especialista. Este lhe ensina a adubar, podar, fazer enxertos e regar a planta. Diz ainda que ela precisará sempre de cuidados e atenção e que, se isso lhe for dado, poderá, sim, produzir muitos pimentões, até pimentões vermelhos, mas tomates, jamais. Tomates não têm como nascer daquela planta e é preciso que o seu cultivador se conforme com essa realidade.
Assim também devem ser encaradas as partes envolvidas numa relação amorosa: plantas que podem dar frutos vistosos, se bem cuidadas, e dos quais cada parceiro precisa ter a disposição de experimentar, gostar, aproveitar, ainda que não sejam exatamente como foram imaginados. A verdade é que na intimidade não há como manter máscaras. Elas caem rapidamente, deixando à mostra o que temos de pior e também de melhor. Precisamos, pois, aprender a encarar as dificuldades que surgem na interação com o outro e desenvolver a sensibilidade para apreciar características novas e interessantes dele que, no contato diário, vêm à tona.
Esse exercício tende a elevar a relação a um nível mais alto de qualidade. O bom-humor de uma das partes do casal pode, por exemplo, ser muito bem-vindo se, em lugar de irritar a outra parte, puder ser encarado como algo que traz leveza à relação. Muita gente só vai perceber isso depois da separação.
Quem está disposto a gozar realmente a relação também precisa compreender as expectativas do companheiro. Só para ilustrar: todos nós temos uma lista de atitudes que consideramos como provas de amor -- e adoramos quando nosso parceiro ou parceira as toma! Mas será que sabemos o que ele ou ela acredita que seja uma prova de amor? Qual é a lista de atitudes que está esperando de nós? Na maioria das vezes em que pergunto isso aos casais, eles não sabem responder. Alguns até pensam saber; porém, no momento de checar com o outro, ficam espantados por se descobrirem muito longe da realidade. Isso é uma pena, pois quando compreendemos o que vale como um sinal de amor para o nosso parceiro, abrem-se muitas possibilidades de comportamentos dos quais podemos lançar mão se realmente queremos demonstrar o quanto o amamos.
Por fim, precisamos desenvolver a capacidade de perdoar, o que não é nada fácil. Para conseguí-lo, antes de tudo temos de passar por cima das idealizações que temos em relação ao parceiro. Elas nos levam a esperar comportamentos que ele, ou ela, não tem condições de assumir, o que desencadeia mágoas e tristezas. Nesse campo minado, fica difícil o treino do perdão. Tal treino pressupõe a paciência de esperar passar um tempo toda vez que forem abertas feridas por conversas, ações ou omissões. Enquanto esperamos a raiva passar e a cicatriz se formar, vamos assimilando e admitindo as imperfeições do outro. Algumas vezes, a simples disposição de oferecer um abraço, um colo, em lugar de questionar e cobrar, não só nos leva a superar uma crise, mas também a aprender com ela. Aprende-se a convivência. O afeto é um aliado nesse processo e deve ser usado. Associado ao perdão e à disponibilidade de ver de verdade o outro, ele nos leva a usufruir melhor da delícia de ter alguém com quem dividir as alegrias do cotidiano e aplacar as ansiedades da vida.

Texto publicado na revista CARAS por Solange Maria Rosset, psicóloga e terapeuta





Exibir todos os POSTs de Outubro de 2006

 




 
Marcelo Martins de Albuquerque - ©1997-2019 Todos os direitos Reservados